Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião
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Navegando Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião por Assunto "Aliança"
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Item A experiência mística apocalíptica do Apóstolo Paulo como elemento fundante da justificação pela fé: uma análise exegética de Romanos 3(Universidade Metodista de São Paulo, 2019-05-06) FORMICKI, Leandro; GARCIA, Paulo RobertoO presente estudo exegético tem por objetivo pesquisar Romanos 3:1-31 buscando perceber por que para o apóstolo Paulo tanto judeu como gentio são pecadores e carecem da glória de Deus (Rm 1:18-3:20). Por isso, não há diferença entre eles com relação à justiça (3:21-4:25). E por que para ele a justificação de Deus é pela fé em Jesus Cristo para todos que acreditam, tanto judeus como gentios, e não mais pela prática da lei (3:22-30). Diante disso, nossa hipótese é mostrar que a partir da experiência mística apocalíptica do Apóstolo Paulo descrita em Gálatas 1:1-24 e 2 Coríntios 12:1-4, ele propõe uma nova interpretação a respeito da “salvação do ser humano”. Isso pode ser confirmado em Romanos 3:1-31, onde ele expõe que a Torá não serve como um meio de salvação do ser humano, pois ela não é capaz de libertar o ser humano do poder escravizador do pecado que conduz à morte. Ao invés disso, o meio de salvação eficaz é quando o “ser humano é justificado por fé, sem obras da lei”. Certamente, esta experiência mística apocalíptica tira o Apóstolo Paulo da pertença do Judaísmo Sinaíta Sinagogal do Mundo Mediterrâneo, ou seja, de uma crença na aliança sinaítica que é condicionada ao cumprimento dos mandamentos da Torá e considera só o povo judeu como “exclusivo de Deus”, isto é, eleito para ser “santo/separado” e “puro” para Deus e o realoca em um espaço místico apocalíptico de identidade, onde ele assume que tanto judeus como gentios estão na condição de “pecadores (impuros)” e por isso, não são dignos de serem justificados por Deus, mas por meio da união/comunhão com o sagrado “a fé em Jesus” qualquer um pode ser considerado justo/inocente/puro e por isso, ser salvo da ira de Deus e receber a recompensa de uma vida eterna. Para tanto, fundamentaremos nossa pesquisa, nos estudiosos Gershom Scholem, Martinus De Boer e Mary Douglas, respectivamente do misticismo judaico, apocalíptica judaica e antropologia da cultura, além de revisar alguns escritos judaicos e algumas discussões exegéticas acerca do texto que vem ganhando notoriedade e controvérsias desde a segunda metade do século XX.Item Aliança com a morte: uma reflexão sobre Isaías 28-32(Universidade Metodista de São Paulo, 2009-03-02) SANTOS, Virgínia Inácio dos; MACHADO, Tércio SiqueiraO livro de Isaías tem sido objeto de muitos estudos entre os pesquisadores e críticos, tanto no que se refere a sua autoria quanto nos aspectos de sua linguagem, conteúdo e forma. Cremos que todos estes aspectos e abordagem não esgotaram os assuntos que poderiam ser analisados, e muitas questões ainda se encontram em aberto. Refletir sobre os capítulos 28-32 de Isaías, que abordam a problemática da aliança com a morte e a soberba dos bêbados de Efraim, permitir-nos-á uma análise que se centra em saber se Isaías teria sido autor de um novo conceito teológico da aliança. Hipoteticamente, acreditamos que Isaías teria formado ou criado o conceito de “aliança com morte”. Nosso trabalho trará a análise crítica desta hipótese na tentativa de proporcionar resultados convincentes que visam a legitimar e confirmar nossa suspeita.A aliança de Javé com seu povo, um tema tão comum na profecia do Antigo Testamento, está presente nestes capítulos de Isaías que falam da sua inversão e da tentativa de sua restauração. Em Isaías, no bloco em estudo, a aliança deixa de ser com Javé e passa a ser com a morte nר “aliança com a morte” A impressão que dá ao leitor é a de que Isaías contesta o novo modo de vida dos judaítas e não tendo muito sucesso na recepção de seus ditos proféticos, assiste ao aumento da crise e perda de identidade de Jerusalém e Judá.Nossa pesquisa buscará entender este novo conceito de aliança no bloco em estudo. Buscará entender se o profeta ao falar da “aliança com a morte” elabora um novo conceito de aliança ou apenas questiona a inversão dos valores da antiga aliança entre o povo israelita e Javé.Ao aprofundar o bloco, a pesquisa possibilitará uma análise crítica de alguns problemas levantados pelo próprio profeta como as questões referentes às mulheres tranqüilas e sossegadas que lamentarão em seus peitos. Outro assunto que pretendemos abordar com atenção é a questão da coroa de arrogância dos tomados pelo vinho, sacerdotes e profetas inclusos neste grupo. Portanto, como entender a elaboração de uma nova teologia da aliança, isto é “aliança com a morte”, dentro dos pressupostos das mulheres nobres e da bebedeira da nobreza política e religiosa? Estaria o profeta nesta atitude fazendo uma crítica em relação aos conceitos de aliança no Antigo Testamento, ou apenas constatando sua quebra e alertando para o fato de que ela deve ser restaurada a todo custo?Item Uma aliança abominável e per/vertida?: anotações subalternas sobre o arquivo deuteronômico(Universidade Metodista de São Paulo, 2011-03-14) SILVA, Fernando Candido da; SCHWANTES, MiltonO objetivo central desta pesquisa é avaliar os valores e possibilidades da “aliança” pregada no Deuteronômio. Para tanto, procuro captar a necessária tensão de qualquer tipo de aliança. Faço esse exercício, primeiramente, no próprio campo da hermenêutica. Sugiro uma leitura subalterna que agregue diferentes lutas no interior das interpretações libertárias (feminista, queer e pós-colonial). Nesse ínterim, forjo o trabalho do “exegeta orgânico”, a saber, aquele intérprete que articula vozes dissidentes para fazer frente às estruturas sistêmicas de subordinação. Após essa proposição teórica, avalio o Deuteronômio enquanto discursos concatenados em forma de arquivo. A principal sugestão é de que os textos deuteronômicos foram coletados ou produzidos em prol de um ideal de berit “aliança”. Esse ideal origina-se do material agora disposto em 4,44-26+28: um contrato comunitário atávico com Yhvh. Esse resultado é possibilitado pela crítica retórica ao texto e seus interesses propagandísticos desde o nascedouro arquivístico. Após uma comparação honesta com os tratados do Antigo Oriente Próximo, não se pode mais negar a pedagogia da obediência intrínseca ao contrato. A isso chamo, muitas vezes, de “colusão do povo santo”. A crítica retórica, entretanto, não encaminha apenas uma reificação desse ideal de berit, ao apontar, antes, para o debate interno da comunidade. Um contrato retórico, afinal, guarda em si, memórias silenciadas para que a propaganda se efetive. Nesse momento é que busco colisões de memórias, em especial, dentro das perícopes proibitivas do contrato. Todo o lixo deuteronômico, por assim dizer, está assinalado por duas fórmulas básicas: ki to„abat yhvh “eis uma abominação para Yhvh” e u- bi„arta ha-ra„ mi-qirbeka “exterminarás o per/vertido do teu meio”. Dedico-me aos textos marcados por essas fórmulas, ao fomentar uma episódica unificação de “abomináveis” e “per/vertidos”. Avalio a luta particular de cada um/a, para então, propor uma agenda subalterna que promova a justiça social por reconhecimento e redistribuição. A “aliança abominável e per/vertida” intra-Deuteronômio apresenta uma proposta radicalmente democrática (i) em favor de uma cultura aberta ao Outro e (ii) contra estruturas autoritárias piramidais. Assinalo, portanto, que com essa dupla tática, os valores imperiais de hierarquização e subtração da “irmandade deuteronômica” são retoricamente postos em debate na comunidade.
