As brigas divinas de Inana: reconstrução feminista de repressão e resistência em torno de uma deusa suméria

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Data

2007-11-01

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Universidade Metodista de São Paulo

Resumo

As análises desta tese, baseadas numa hermenêutica feminista libertadora, têm como centro a figura de Inana, a deusa mais importante e mais popular da Suméria, que predominou, sob o nome de Ištar, também nos panteões mesopotâmicos posteriores.O Capítulo 1 oferece uma reconstrução da vida na Suméria, desde os tempos neolíticos até os inícios do Período Babilônico Antigo (aproximadamente de 5000 a 2000 aEC), com especial atenção para dados sobre mulheres e para aspectos de gênero.O Capítulo 2 apresenta documentos pré-sargônicos, iconográficos e filológicos, relacionados com a figura e o culto de Inana, oferecendo as primeiras reflexões sobre aspectos particulares e conflitos que mostram sua posição especial na religião na Suméria e na sua crescente patriarcalização.No Capítulo 3, esses aspectos e conflitos são discutidos enfocando tradições de Inana como Senhora da Eana, dos Me e de Kur, com especial atenção para os mitos “Inana e a Eana”, “Inana e os Me” e “Inana e o Inframundo” (ETCSL 1.3.5; 1.3.1; 1.4.1). É mostrado que o mito “Inana e a Eana” é o resultado de manipulações para legitimar o culto de An nesse templo de Inana, que “Inana e os Me” reflete atitudes de resistência contra tentativas de seu desapoderamento, e que “Inana e o Inframundo” é composto de mitos diferentes que evidenciam vários conflitos relacionados com funções e poderes de Inana.Desse modo mostra-se que os conflitos em torno de Inana refletem repressões e resistências humanas no âmbito de uma sociedade quiriarcal e da crescente patriarcalização de sua religião. Embora a atuação política e religiosa de mulheres em sociedades de hoje não necessite de legitimações a partir de exemplos provenientes de religiões antigas, a reconstrução e memória feministas de tais exemplos podem servir de estímulo para tal atuação quando busca construir uma outra imagem do divino e quando luta por um mundo de igualdade em direitos e dignidade para todas as pessoas.
The analysies of this thesis, based on a feminist hermeneutics of liberation, center on the figure of Inana, the most important and most popular goddess of Sumer who, as Ištar, held a predominant position also in the posterior Mesopotamian pantheons.Chapter 1 gives a reconstruction of life in Sumer, since neolithic times until the beginnings of the Old Babylonian Period (approximately 5000 to 2000 BCE), with special attention to data on women and gender aspects.Chapter 2 presents presargonic documents, iconographical and philological, related with the figure and the cult of Inana, and offers first reflections on particular aspects and conflicts that show her special position in the religion of Sumer and its increasing patriarchalization.In Chapter 3, these aspects and conflicts are discussed focusing on traditions of Inana as the Lady of Eana, of the Me and of Kur, with special attention to the myths “Inana and Eana”, “Inana and the Me” and “Inana and the Netherworld” (ETCSL 1.3.5; 1.3.1; 1.4.1). It shows that the myth “Inana and Eana” is the result of manipulations to legitimate the cult of An in the main temple of Inana, that “Inana and the Me” reflects attitudes of resistance against attempts of her depowerment, and that “Inana and the Netherworld” is composed of different myths that evidence several conflicts related to functions and powers of Inana.Thus it is demonstrated that the conflicts in the sphere of Inana reflect human repressions and resistances within a kyriarchal society and the increasing patriarchalization of its religion. Although political and religious activities of women in today’s societies do not need legitimation by examples from old religions, their feminist reconstruction and memory can serve to stimulate such activities when they try to construct a different image of the divine, and when they struggle for a world of equal rights and dignity for all people.

Descrição

Palavras-chave

Inana, Diosa, Sumeria, Hermenéutica Feminista, Inanna, Feminist Hermeneutics

Citação

OTTERMANN, Monika. As brigas divinas de Inana: reconstrução feminista de repressão e resistência em torno de uma deusa suméria. 2007. 427 fls. Tese (Ciências da Religião) - Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo.