Contribuições do pré-natal psicológico para a saúde mental de mulheres em gestação de alto risco: análise de ganhos e limites

dc.contributor.advisorANDRADE, Cristiano de Jesus
dc.contributor.authorCARVALHO, Paula Ferreira de Araujo
dc.date.accessioned2026-03-04T16:56:03Z
dc.date.available2026-03-04T16:56:03Z
dc.date.issued2025-12-10
dc.description.abstractA gestação, especialmente quando classificada como de alto risco, constitui um período de intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que podem potencializar a vulnerabilidade psíquica da mulher. A presença de fatores clínicos e contextuais adversos, como complicações obstétricas, incertezas quanto ao prognóstico fetal e restrições de rotina, intensifica sentimentos de medo, ansiedade e insegurança, comprometendo o bem-estar e a adaptação ao processo gestacional. Nesse cenário, a atenção integral à saúde mental assume papel fundamental, visto que a ocorrência de transtornos emocionais, como depressão, ansiedade e estresse, é expressiva entre gestantes expostas a condições de maior complexidade clínica. O pré-natal psicológico, enquanto prática interdisciplinar e preventiva, tem se mostrado uma estratégia eficaz na promoção do autocuidado, fortalecimento da autoestima e melhoria da qualidade de vida, favorecendo o vínculo materno-fetal e a experiência positiva da maternidade. A inclusão desse acompanhamento no contexto do pré-natal de alto risco permite a identificação precoce de fatores de sofrimento psíquico e a implementação de intervenções terapêuticas adequadas, contribuindo para a redução de complicações emocionais no período puerperal e para o fortalecimento da rede de apoio social e familiar. Trata-se de um estudo de abordagem mista, do tipo pesquisa-intervenção, com recorte transversal, combinando métodos quantitativo e qualitativo de forma complementar. fundamentada no modelo de Pesquisa-Trans-Formação, ancorado no Materialismo Histórico-Dialético e na Psicologia Sócio-Histórica. Esse método pressupõe a participação ativa dos sujeitos na construção do conhecimento, articulando diagnóstico, reflexão e ação transformadora, de modo que teoria e prática se retroalimentem. A investigação foi desenvolvida com dois grupos de puérperas que haviam participado da fase gestacional anterior do estudo: um grupo de pesquisa (experimental), composto por 13 participantes expostas diretamente à intervenção psicológica, e um grupo controle, formado por 10 mulheres que não receberam a mesma intervenção, possibilitando a comparação entre os resultados. Os instrumentos utilizados incluíram o questionário sociodemográfico e obstétrico, o Inventário de Depressão de Beck (BDI-II), a Escala de Autoestima de Rosenberg, a Escala de Ansiedade de Hamilton e o WHOQOL-BREF para avaliação da qualidade de vida. A coleta de dados ocorreu por meio de visitas domiciliares previamente agendadas. As análises estatísticas empregaram testes não paramétricos, como Wilcoxon, Exato de Fisher e Bowker, além de modelos mistos de ANOVA, considerando nível de significância de 5% e confiança de 95%, com o suporte do software JMP® Pro versão 13 (SAS Institute Inc., Cary, NC, USA). A amostra foi composta por 23 puérperas, sendo 13 no grupo Pesquisa (57%) e 10 no grupo Controle (43%). A maioria das participantes encontrava-se em união estável e possuía ensino médio completo, com predomínio de baixa renda (até dois salários-mínimos). Observou-se prevalência de diabetes gestacional no grupo Pesquisa (38,5%) e hipertensão arterial no Controle (20%). Quanto aos resultados psicológicos, o grupo Pesquisa apresentou maior nível de ansiedade (100% moderada ou grave; p = 0,0044) e maior escore médio de ansiedade (p = 0,0057). Não houve diferenças significativas entre os grupos nos escores de depressão, autoestima e qualidade de vida. A análise evolutiva entre o pré e pós-parto demonstrou aumento dos níveis de ansiedade no período pós-parto, mantendo-se estabilidade nos demais indicadores psicológicos e de qualidade de vida. O estudo evidenciou que o pré-natal psicológico exerce papel essencial na promoção da saúde mental de gestantes de alto risco, contribuindo para reduzir sintomas depressivos e ansiosos, fortalecer a autoestima e melhorar a qualidade de vida. Os objetivos específicos foram alcançados ao descrever as dimensões emocionais e identificar transformações significativas entre o pré e o pós-parto. A efetivação dessa prática requer integração interdisciplinar, escuta empática e políticas públicas que assegurem assistência humanizada, consolidando o pré-natal psicológico como estratégia fundamental de cuidado integral e promoção do bem-estar materno.
dc.description.abstractPregnancy, particularly when classified as high-risk, constitutes a period of intense physical, emotional, and social transformations, which may amplify the woman’s psychological vulnerability. The presence of adverse clinical and contextual factors, such as obstetric complications, uncertainties regarding fetal prognosis, and lifestyle restrictions, intensifies feelings of fear, anxiety, and insecurity, compromising well-being and adaptation to the gestational process. In this context, comprehensive attention to mental health assumes a fundamental role, given that the occurrence of emotional disorders, such as depression, anxiety, and stress, is significant among pregnant women exposed to more complex clinical conditions. Psychological prenatal care, as an interdisciplinary and preventive practice, has proven to be an effective strategy for promoting self-care, strengthening self-esteem, and improving quality of life, fostering maternal-fetal bonding and a positive maternity experience. The inclusion of this care within high-risk prenatal settings allows for early identification of psychological distress factors and the implementation of appropriate therapeutic interventions, contributing to the reduction of emotional complications during the puerperal period and the reinforcement of social and family support network. This study adopts a mixed-methods approach, specifically a research-intervention design with a cross-sectional component, combining quantitative and qualitative methods in a complementary manner. The investigation is grounded in the Trans-Formation Research model, based on Historical-Dialectical Materialism and Socio-Historical Psychology, which presupposes the active participation of subjects in knowledge construction, integrating diagnosis, reflection, and transformative action, so that theory and practice mutually inform one another. The study was conducted with two groups of postpartum women who had participated in the previous gestational phase: an experimental group (n = 13), exposed directly to psychological intervention, and a control group (n = 10), who did not receive the same intervention, allowing for a comparison of results. Data collection instruments included a sociodemographic and obstetric questionnaire, the Beck Depression Inventory (BDI-II), the Rosenberg Self-Esteem Scale, the Hamilton Anxiety Scale, and the WHOQOL-BREF for assessing quality of life. Data were collected through previously scheduled home visits. Statistical analyses employed non-parametric tests, such as Wilcoxon, Fisher’s Exact, and Bowker’s test, as well as mixed ANOVA models, considering a significance level of 5% and 95% confidence, using JMP® Pro version 13 (SAS Institute Inc., Cary, NC, USA). The sample consisted of 23 postpartum women, with 13 in the experimental group (57%) and 10 in the control group (43%). Most participants were in stable unions and had completed high school, with a predominance of low income (up to two minimum wages). Gestational diabetes prevalence was higher in the experimental group (38.5%), whereas arterial hypertension predominated in the control group (20%). Regarding psychological outcomes, the experimental group exhibited higher levels of anxiety (100% moderate or severe; p = 0.0044) and higher mean anxiety scores (p = 0.0057). No significant differences were observed between groups in depression, self-esteem, or quality of life scores. Longitudinal analysis from pre- to postpartum indicated an increase in anxiety levels postpartum, while other psychological and quality of life indicators remained stable. The study demonstrated that psychological prenatal care plays an essential role in promoting mental health among high-risk pregnant women, contributing to the reduction of depressive and anxious symptoms, strengthening self-esteem, and improving quality of life. The specific objectives were achieved by describing the emotional dimensions and identifying significant transformations between pre- and postpartum periods. The effective implementation of this practice requires interdisciplinary integration, empathetic listening, and public policies ensuring humanized care, consolidating psychological prenatal care as a fundamental strategy for comprehensive care and maternal well-being.
dc.description.sponsorshipPrograma de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino Particulares - PROSUP
dc.identifier.citationCARVALHO, Paula Ferreira de Araujo. Contribuições do pré-natal psicológico para a saúde mental de mulheres em gestação de alto risco: análise de ganhos e limites. 2025. 402 fls. Tese (Doutorado em Psicologia da Saúde) --Diretoria de Pós-Graduação e Pesquisa, Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2025.
dc.identifier.urihttps://repositorio.metodista.br/handle/123456789/1672
dc.language.isopt
dc.publisherUniversidade Metodista de São Paulo
dc.subjectPuerpério
dc.subjectPré-natal Psicológico
dc.subjectSaúde Mental
dc.subjectPuerperium
dc.subjectPsychological prenatal care
dc.subjectMental health
dc.subject.otherCiências Humanas
dc.titleContribuições do pré-natal psicológico para a saúde mental de mulheres em gestação de alto risco: análise de ganhos e limites
dc.title.alternativeContributions of prenatal psychological care to the mental health of women with high-risk pregnancies: an analysis of gains and limitations
dc.typeTese

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