Navegando por Autor "FREITAS, Rodrigo Vieira de"
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Item Espectrocídio e capacitismo: autismo diante dos dicursos religiosos de cura, exorcismo e pureza(Universidade Metodista de São Paulo, 2025-12-15) FREITAS, Rodrigo Vieira de; FRANCO, Clarissa deA difusão de discursos religiosos que atribuem significados negativos ao autismo constitui um fenômeno complexo e de grande relevância sociocultural, especialmente nas igrejas evangélicas brasileiras. Esta pesquisa investiga como lideranças pastorais empregam narrativas de cura, libertação e exorcismo para patologizar e disciplinar pessoas autistas, evidenciando os mecanismos de exclusão, estigmatização e normalização impostos pelos discursos de cura e libertação. O estudo focaliza três pronunciamentos pastorais amplamente difundidos em meios digitais, nos quais o autismo é associado à ação demoníaca, à insuficiência de fé ou à necessidade de transformação espiritual. Os objetivos específicos da pesquisa são: a) apresentar o percurso teórico e metodológico, incluindo delimitação do tema, formulação do problema, justificativa e fundamentação conceitual, bem como os procedimentos de análise do corpus discursivo sob a perspectiva da Análise do Discurso Foucaultiana; b) contextualizar historicamente a exclusão de corpos autistas e conceituar o espectrocídio religioso, articulando criticamente interpretações biomédicas e religiosas da diferença; c) discutir como práticas religiosas evangélicas centradas na cura e na libertação operam como dispositivos de exclusão simbólica e espiritual, reforçando estigmas e a patologização da neurodivergência; d) aplicar a análise foucaultiana aos discursos pastorais selecionados, identificando formações discursivas, enunciados recorrentes e efeitos simbólicos que sustentam a patologização espiritual da neurodivergência e contribuem para o espectrocídio, evidenciando as formas de exclusão e as pressões de normalização impostas às pessoas autistas. A investigação, de natureza qualitativa, evidencia que os discursos religiosos baseados em teologias da cura, do exorcismo e da pureza configuram formas de violência simbólica e espiritual, caracterizando o espectrocídio — entendido como tentativa de apagamento da identidade autista por meio da normalização religiosa. A análise dos discursos permite identificar como práticas religiosas contribuem para a exclusão e o estigma, reforçando padrões capacitistas e excludentes, sem depender da coleta direta de relatos de pessoas autistas. Os resultados destacam a urgência de processos de ressignificação ética e epistemológica nos espaços religiosos. Conclui-se que o reconhecimento da neurodiversidade e a promoção de uma espiritualidade inclusiva são fundamentais para comunidades religiosas que desejam efetivamente acolher pessoas autistas.
