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Navegando por Autor "CARVALHO, Paula Ferreira de Araujo"

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    Contribuições do pré-natal psicológico para a saúde mental de mulheres em gestação de alto risco: análise de ganhos e limites
    (Universidade Metodista de São Paulo, 2025-12-10) CARVALHO, Paula Ferreira de Araujo; ANDRADE, Cristiano de Jesus
    A gestação, especialmente quando classificada como de alto risco, constitui um período de intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que podem potencializar a vulnerabilidade psíquica da mulher. A presença de fatores clínicos e contextuais adversos, como complicações obstétricas, incertezas quanto ao prognóstico fetal e restrições de rotina, intensifica sentimentos de medo, ansiedade e insegurança, comprometendo o bem-estar e a adaptação ao processo gestacional. Nesse cenário, a atenção integral à saúde mental assume papel fundamental, visto que a ocorrência de transtornos emocionais, como depressão, ansiedade e estresse, é expressiva entre gestantes expostas a condições de maior complexidade clínica. O pré-natal psicológico, enquanto prática interdisciplinar e preventiva, tem se mostrado uma estratégia eficaz na promoção do autocuidado, fortalecimento da autoestima e melhoria da qualidade de vida, favorecendo o vínculo materno-fetal e a experiência positiva da maternidade. A inclusão desse acompanhamento no contexto do pré-natal de alto risco permite a identificação precoce de fatores de sofrimento psíquico e a implementação de intervenções terapêuticas adequadas, contribuindo para a redução de complicações emocionais no período puerperal e para o fortalecimento da rede de apoio social e familiar. Trata-se de um estudo de abordagem mista, do tipo pesquisa-intervenção, com recorte transversal, combinando métodos quantitativo e qualitativo de forma complementar. fundamentada no modelo de Pesquisa-Trans-Formação, ancorado no Materialismo Histórico-Dialético e na Psicologia Sócio-Histórica. Esse método pressupõe a participação ativa dos sujeitos na construção do conhecimento, articulando diagnóstico, reflexão e ação transformadora, de modo que teoria e prática se retroalimentem. A investigação foi desenvolvida com dois grupos de puérperas que haviam participado da fase gestacional anterior do estudo: um grupo de pesquisa (experimental), composto por 13 participantes expostas diretamente à intervenção psicológica, e um grupo controle, formado por 10 mulheres que não receberam a mesma intervenção, possibilitando a comparação entre os resultados. Os instrumentos utilizados incluíram o questionário sociodemográfico e obstétrico, o Inventário de Depressão de Beck (BDI-II), a Escala de Autoestima de Rosenberg, a Escala de Ansiedade de Hamilton e o WHOQOL-BREF para avaliação da qualidade de vida. A coleta de dados ocorreu por meio de visitas domiciliares previamente agendadas. As análises estatísticas empregaram testes não paramétricos, como Wilcoxon, Exato de Fisher e Bowker, além de modelos mistos de ANOVA, considerando nível de significância de 5% e confiança de 95%, com o suporte do software JMP® Pro versão 13 (SAS Institute Inc., Cary, NC, USA). A amostra foi composta por 23 puérperas, sendo 13 no grupo Pesquisa (57%) e 10 no grupo Controle (43%). A maioria das participantes encontrava-se em união estável e possuía ensino médio completo, com predomínio de baixa renda (até dois salários-mínimos). Observou-se prevalência de diabetes gestacional no grupo Pesquisa (38,5%) e hipertensão arterial no Controle (20%). Quanto aos resultados psicológicos, o grupo Pesquisa apresentou maior nível de ansiedade (100% moderada ou grave; p = 0,0044) e maior escore médio de ansiedade (p = 0,0057). Não houve diferenças significativas entre os grupos nos escores de depressão, autoestima e qualidade de vida. A análise evolutiva entre o pré e pós-parto demonstrou aumento dos níveis de ansiedade no período pós-parto, mantendo-se estabilidade nos demais indicadores psicológicos e de qualidade de vida. O estudo evidenciou que o pré-natal psicológico exerce papel essencial na promoção da saúde mental de gestantes de alto risco, contribuindo para reduzir sintomas depressivos e ansiosos, fortalecer a autoestima e melhorar a qualidade de vida. Os objetivos específicos foram alcançados ao descrever as dimensões emocionais e identificar transformações significativas entre o pré e o pós-parto. A efetivação dessa prática requer integração interdisciplinar, escuta empática e políticas públicas que assegurem assistência humanizada, consolidando o pré-natal psicológico como estratégia fundamental de cuidado integral e promoção do bem-estar materno.

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